Polícia apura 5 ataques com líquido similar a ácido

Ataques com um líquido que provoca queimaduras nas vítimas são investigados pela 13ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Alegre. Cinco ocorrências por lesão corporal foram registradas por quatro mulheres e um homem até o fim da tarde desta sexta-feira (21). O delegado Luciano Coelho acredita que trate-se de ácido.

Somente na manhã desta sexta, três mulheres e um homem procuraram a polícia. Na quarta-feira (19), uma mulher fez o registro.

O primeiro caso foi na rua Santa Flora, bairro Nonoai. Uma mulher relatou à polícia ter visto um homem, em uma bicicleta, que atirou um líquido transparente, em uma garrafa pet, contra seu rosto. Sentindo a pele queimar, ela procurou atendimento médico, e depois foi até a delegacia.

Nesta sexta, duas pessoas foram atacadas no bairro Aberta dos Morros, no início da manhã. Primeiro, um homem relatou ter sido atingido por um líquido semelhante ao do primeiro caso, atirado por um homem em um carro branco. Poucos minutos depois, o mesmo aconteceu com uma mulher, no mesmo bairro.

Cerca de uma hora depois, novos ataques vitimaram duas mulheres, na Rua Santa Flora, mesmo local do primeiro registro. Os relatos também deram conta de um homem em um carro, atirando o líquido nas pessoas.

“Não temos identificação do veículo nem do indivíduo, mas com certeza é a mesma pessoa [que joga o líquido]”, relata o delegado. Uma das vítimas relatou ter visto uma segunda pessoa no veículo. A polícia ainda não confirmou essa informação.

Roupas atingidas pelas vítimas foram submetidas à exame, para descobrir do que se trata a substância líquida. A polícia ouve testemunhas e procura imagens dos locais do ataque para tentar elucidar o caso, diz o G1.

‘Fiquei apavorada’, diz vítima

Uma das vítimas atacadas na manhã de sexta é Gladis Nievinski, 48 anos. Ela conta que ia ao trabalho, a pé, quando percebeu que um carro branco havia estacionado, no lado oposto da calçada. “Pensei ‘alguém chegou de Uber’. Uns 50 metros depois, percebi que esse carro veio para o meu lado”, relata.

“Pensei ‘não vou olhar, ele vai falar uma gracinha’. Nisso, senti algo no rosto. Pensei ‘sacana, cuspiu em mim’. Passei a mão e começou a arder”, contou. Seu pescoço e uma parte do rosto foram atingidos pelo líquido, transparente, sem cheiro e com aspecto pegajoso, conforme ela descreve. A substância pegou também em seu casaco. “Ficou estraçalhado”, comenta.

Gladis não consegue identificar o carro, mas diz que viu somente uma pessoa. O carro saiu sem acelerar. Ela procurou atendimento em um posto de saúde. “Soube que não era o primeiro caso. O médico disse que provavelmente era ácido, ou algo abrasivo, soda base”, conta.

O médico limpou a área e receitou medicamentos para dor e uma pomada para a pele. Gladis teve queimadura de terceiro grau, e vai voltar na próxima semana para avaliar o ferimento. “Sinto ardor. Não tive como trabalhar”, lamenta.

A notícia se espalhou pelo bairro e vizinhos passaram a pendurar cartazes nos postes, alertando do perigo. “Fiquei apavorada, mas agora estou um pouco mais calma”, diz. Gladis já sabia do primeiro caso, registrado na quarta, mas garante que jamais imaginou que seria vítima do ataque. “A gente sempre tem medo da violência, enfim, tu imagina de tudo, mas nunca comigo”, lamenta.

22/06/2019